14/12/2011 13h27 - Atualizado em 14/12/2011 16h16
Média de homicídios no Brasil é superior a de guerras, diz estudo
Segundo 'Mapa da Violência', média anual de mortes do país supera a de mortes violentas em guerras como da Chechênia e Iraque.
Com 1,09 milhão de homicídios entre 1980 e 2010, o Brasil tem uma média anual de mortes violentas superior à de diversos conflitos armados internacionais, apontam cálculos do Mapa da Violência 2012, produzido pelo Instituto Sangari e divulgado nesta quarta-feira (14).
O estudo também conclui que, apesar da redução das mortes violentas em diversas capitais do país, o Brasil mantém um índice epidêmico de homicídios - 26,2 por 100 mil habitantes -, que têm crescido sobretudo no interior do país e em locais antes considerados "seguros".
Calculando a média anual de homicídios do país em 30 anos, Julio Jacobo Waisefisz, pesquisador do Sangari, chegou ao número de 36,3 mil mortos no ano - o que, em números absolutos, é superior à média anual de conflitos como o da Chechênia (25 mil), entre 1994 e 1996, e da guerra civil de Angola (1975-2002), com 20,3 mil mortos ao ano.
A média também é superior às 13 mil mortes por ano registradas na Guerra do Iraque desde 2003 (a partir de números dos sites iCasualties.org e Iraq Body Count, que calculam as mortes civis e militares do conflito).
"O número de homicídios no Brasil é tão grande que fica fácil banalizá-lo", disse Waisefisz à BBC Brasil. "Segundo essas mesmas estatísticas (feitas a partir de dados do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde), ocorreram, em 2010, quase 50 mil assassinatos no país, com um ritmo de 137 homicídios diários, número bem superior ao de um massacre do Carandiru por dia", diz o estudo, em referência à morte de 111 presos no centro de detenção do Carandiru (SP), em 1992.
Violência nos estados
Por um lado, o 'Mapa da Violência' vê motivos para otimismo: o Brasil estabilizou suas taxas de homicídio e conseguiu conter a espiral de violência em Estados como São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro (onde, entre 2000 e 2010, o número de homicídios caiu respectivamente 63,2%, 20,2% e 42,9%).
Por um lado, o 'Mapa da Violência' vê motivos para otimismo: o Brasil estabilizou suas taxas de homicídio e conseguiu conter a espiral de violência em Estados como São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro (onde, entre 2000 e 2010, o número de homicídios caiu respectivamente 63,2%, 20,2% e 42,9%).
Por outro lado, o estudo aponta que "nossas taxas ainda são muito elevadas e preocupantes, considerando a nossa própria realidade e a do mundo que nos rodeia, e não estamos conseguindo fazê-las cair". "Estados que durante anos foram relativamente tranquilos, alheios à fúria homicida, entram numa acelerada onda de violência", diz a pesquisa.
É o caso, por exemplo, de Alagoas, que, com 66,8 homicídios por 100 mil habitantes em 2010, se tornou o Estado com o maior número de mortes violentas (era o 11º em 2000). O Pará, que era o 21º Estado com mais mortes violentas em 2000, subiu para a terceira posição em 2010, com uma taxa de 45,9 homicídios por 100 mil habitantes.
Vários fatores podem explicar essa migração, diz o estudo: o investimento em segurança nas grandes capitais e suas regiões metropolitanas, fazendo com que parte do crime organizado migrasse para áreas de menor risco; melhoras no sistema de captação de dados de mortalidade, fazendo com que mortes antes ignoradas no interior pudessem ser contabilizadas; e o fato de algumas partes do país terem se tornado polos atrativos de investimento sem que tivessem recebido, ao mesmo tempo, investimentos em segurança pública.
Além disso, muitas regiões mais afastadas dos grandes centros também são locais de conflitos agrários ou ambientais, zonas de fronteira ou rotas do tráfico - fatores que tendem a estimular a violência.
Interior mais violento
É nesse cenário que a violência brasileira tem se descentralizado e se tornado um fenômeno crescente no interior, aponta Waisefisz. No estudo, ele detectou "a reversão do processo de concentração da violência homicida, que vinha acontecendo no país desde 1980".
"A disseminação e a interiorização tiveram como consequência o deslocamento dos polos dinâmicos da violência: de um reduzido número de cidades de grande porte para um grande número de municípios de tamanho médio ou pequeno. Se as atuais condições forem mantidas, em menos de uma década as taxas do interior deverão ultrapassar as das capitais e regiões metropolitanas país."
Assim, cidades pequenas como Simões Filho (BA), com 116 mil habitantes, Campina Grande do Sul (PR), com 37,7 mil habitantes, e Marabá (PA), com 216 mil, passaram a liderar, nesta ordem, o ranking de municípios com as maiores taxas de homicídio por 100 mil habitantes.
Taxas gerais
Em geral, o Brasil viu suas taxas de homicídio crescerem quase constantemente entre 1980 e 2003, quando chegou a 28,9 mortes por 100 mil habitantes. A partir desse ano, os índices se reduziram e, com algumas oscilações, se estabilizaram.
Nesses 30 anos, a população também cresceu, embora de forma menos intensa, aponta o Mapa da Violência. "Passou de 119 milhões para 190,7 milhões de habitantes, crescimento de 60,3%. Considerando a população, passamos de 11,7 homicídios em 100 mil habitantes em 1980 para 26,2 em 2010. Um aumento real de 124% no período."
Também preocupa o fato de a violência ainda incidir de forma muito mais intensa entre a população negra. Segundo o estudo, em 2010 morreram, proporcionalmente, 139% mais negros do que brancos no país.
Simões Filho é a cidade mais violenta do Brasil, aponta pesquisa
Município baiano aparece em 1º lugar no ranking do Mapa da Violência.
Pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira (14) pelo Instituto Sangari.
Do G1BA
Simões Filho, município na região metropolitana de Salvador, aparece em primeiro lugar no ranking das cidades mais violentas do Brasil segundo o Mapa da Violência 2012 divulgado nesta quarta-feira (14) pelo Instituto Sangari, com base em informações dos Ministérios da Justiça e da Saúde (baixe a íntegra do estudo em PDF, em arquivo de 7 MB).
A cidade teve uma média de 146 homicídios por 100 mil habitantes entre os anos de 2008 e 2010. Em 5º lugar aparece Porto Seguro, com uma média de 108 assassinatos, e em 8º Itabuna, com quase 104 homicídios por 100 mil habitantes. Entre as 50 mais violentas do país, ainda aparecem outras quatro cidades baianas: Lauro de Freitas, Eunápolis, Teixeira de Freitas e Dias D’Ávila.
A Secretaria de Segurança Pública do estado disse que tem conhecimento de que o índice de violência aumentou nos últimos 30 anos, mas está trabalhando para reduzir as ocorrências. Como exemplo, a Secretaria citou a criação das bases comunitárias de segurança e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, disse ainda que no primeiro semestre deste ano houve redução de 16% no número de homicídios na Bahia.
Índices no Brasil
O estudo mostra que o Brasil tem uma média anual de mortes violentas superior à de diversos conflitos armados internacionais.
O índice de homicídios por 100 mil habitantes passou de 11,7 em 1980 para 26,2 em 2010 no Brasil, superior às 13 mil mortes por ano registradas na Guerra do Iraque desde 2003.
Segundo o estudo, houve um aumento de 124% desde o ano de 1980 ou 2,7% ao ano, informa o levantamento. As mortes violentas passaram de 13.910 casos registrados em 1980 para 49.932 em 2010. No total foram 1.091.125 assassinatos. O aumento, em termos de números brutos, nas últimas três décadas chega a 259% - 4,4% de crescimento anual.
De 1980 a 1985, houve um crescimento acelerado de assassinatos nas capitais e regiões metropolitanas, que passam de 17,9 para 40,1 homicídios para cada 100 mil habitantes no período. O crescimento nas capitais nestes 15 anos chega a 123,8%, ou cerca de 5,5% ao ano. As mortes no interior crescem 55,9% no período - 3% ao ano.
Entre 1995 e 2003, aponta o estudo, o aumento na taxa de homicídios nas capitais é de 9,8% (incremento anual de 1,2%). Já no interior a marca cresce mais - 41,4% nos oito anos - cerca de 4,4% anual.
“O interior, que antigamente era uma ilha de tranquilidade, deixou de ser. Estes novos municípios, principalmente que viraram polos de crescimento, também estão virando polos de criminalidade”, afirma o pesquisador. “Temos que pensar em políticas públicas que pensem em tratar o aumento da violência nas cidades do interior, principalmente em zonas de fronteira”, acrescentou Waiselfisz.
Ele também destacou que a criminalidade e as mortes estão migrando para o interior devido ao crescimento da repressão e do reforço na segurança pública e no policiamento nas capitais e regiões metropolitanas.
Ranking da taxa de mortes por estado, em tabela divulgada pelo estudo (Foto: Reprodução)
Ranking da taxa de mortes violentas por capitais, conforme o Mapa da Violência (Foto: Reprodução)
Das 266 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, apenas 10 apresentam um elevado grau de vulnerabilidade dos jovens de 12 a 29 anos à violência. Essa foi a constatação apresentada por dois trabalhos coordenados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que diagnosticam a exposição do jovem brasileiro à violência. Abaixo as dez cidades mais perigosas para jovens brasileiros.
1º. Itabuna (BA)
2º. Marabá (PA)
3º. Foz do Iguaçu (PR)
4º. Camaçari (BA)
5º. Governador Valadares (MG)
6º. Cabo de Santo Agostinho (PE)
7º. Jaboatão dos Guararapes (PE)
8º. Teixeira de Freitas (BA)
9º. Linhares (ES)
10º. Serra (ES)
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2009!...
e agora:
O ranking das cidades mais violentas do Brasil segundo o Mapa da Violência 2012 divulgado pelo Instituto Sangari, com base em informações dos Ministérios da Justiça e da Saúde revelou quais foram as cidades brasileiras com mais homicídios (proporcionais ao número de habitantes) entre 2008 e 2010. Segue a lista:
1° Simões Filho (BA): média de 146,4 homicídios por 100 mil habitantes
2° Campina Grande do Sul (PR): 130
3° Marabá (PA): 120,5
4° Guaíra (PR): 112,8
5° Porto Seguro (BA): 108,3
6° Ananindeua (PA): 108,1
7° Coronel Sapucaia (MS): 107,7
8° Itabuna (BA): 103,9
9° Maceió (AL): 103,8
10°Itapissuma (PE): 101,8
Fonte: Mapa da Violência, 2012.
1º. Itabuna (BA)
2º. Marabá (PA)
3º. Foz do Iguaçu (PR)
4º. Camaçari (BA)
5º. Governador Valadares (MG)
6º. Cabo de Santo Agostinho (PE)
7º. Jaboatão dos Guararapes (PE)
8º. Teixeira de Freitas (BA)
9º. Linhares (ES)
10º. Serra (ES)
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2009!...
e agora:
O ranking das cidades mais violentas do Brasil segundo o Mapa da Violência 2012 divulgado pelo Instituto Sangari, com base em informações dos Ministérios da Justiça e da Saúde revelou quais foram as cidades brasileiras com mais homicídios (proporcionais ao número de habitantes) entre 2008 e 2010. Segue a lista:
1° Simões Filho (BA): média de 146,4 homicídios por 100 mil habitantes
2° Campina Grande do Sul (PR): 130
3° Marabá (PA): 120,5
4° Guaíra (PR): 112,8
5° Porto Seguro (BA): 108,3
6° Ananindeua (PA): 108,1
7° Coronel Sapucaia (MS): 107,7
8° Itabuna (BA): 103,9
9° Maceió (AL): 103,8
10°Itapissuma (PE): 101,8
Fonte: Mapa da Violência, 2012.
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