sábado, 25 de fevereiro de 2012


Incêndio em base do Brasil deixa ferido 




e 2 desaparecidos na Antártida


Pesquisadores que estavam na estação serão levados para o Chile.
Um Inquérito Policial Militar foi instaurado para apurar causas do acidente.

Do G1, em São Paulo

Um incêndio atingiu a Estação Antártica Comandante Ferraz, base da Marinha do Brasil na Antártida, deixando um militar ferido e dois desaparecidos. Segundo a Marinha, o acidente aconteceu no local onde ficam os geradores de energia, por volta das 2h da manhã (horário de Brasília) deste sábado (25). Um Inquérito Policial Militar foi instaurado para apurar as causas.

Ao todo, 30 pesquisadores e um alpinista que auxilia nos estudos estão na estação chilena. Eles serão levados para Punta Arenas, no Chile, por um avião da Força Aérea Argentina. De lá, um avião disponibilizado pela Força Aérea Brasileira os trará de volta para o Brasil.
O militar ferido já não corre risco de morte. Ele recebeu os primeiros socorros na estação polonesa de Arctowski e depois foi levado para a base chilena Eduardo Frei.
Os 15 integrantes do chamado “Grupo-Base”, militares da Marinha que fazem a manutenção da estação, ainda estão trabalhando no combate ao incêndio. Além deles, outros 12 funcionários da Marinha vão permanecer na base brasileira na Antártida.
Dois navios argentinos, dois botes poloneses e três helicópteros chilenos prestam apoio no controle. Um navio-polar da Marinha do Brasil, que estava estacionado no sul do Chile. está se dirigindo à Antártida para auxiliar a ação.
.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

DESASTRES NATURAIS: POR QUE OCORREM?

A relação do homem com a natureza ao longo da história evoluiu de uma total submissão e aceitação fatalista dos fenômenos da natureza a uma visão equivocada de dominação pela tecnologia. As inundações que ultrapassaram e romperam diques e barragens em New Orleans, por ocasião do Furacão Katrina em 2005, nos Estados Unidos e o terremoto de Kobe no Japão em 1995, com milhares de vítimas e pessoas afetadas, são exemplos que demonstram que muitas vezes os fenômenos naturais surpreendem
até mesmo as nações mais bem preparadas para enfrentá-los. Obviamente os avanços tecnológicos permitem hoje que a humanidade enfrente melhor os perigos decorrentes destes fenômenos.

Assim, esta publicação visa destacar que, para a efetiva prevenção dos fenômenos naturais, as leis da natureza devem ser respeitadas. Ou seja, estes fenômenos devem ser bem conhecidos quanto à sua ocorrência, mecanismos e medidas de prevenção.

Os desastres naturais podem ser provocados por diversos fenômenos, tais como, inundações, escorregamentos, erosão, terremotos, tornados, furacões, tempestades, estiagem, entre outros. Além da intensidade dos fenômenos naturais, o acelerado processo de urbanização verificado nas últimas décadas, em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, levou ao crescimento das cidades, muitas vezes em áreas impróprias à ocupação, aumentando as situações de perigo e de risco a desastres naturais.

Além disso, diversos estudos indicam que a variabilidade climática atual, com tendência para o aquecimento global, está associada a um aumento de extremos climáticos.
Nesta situação, os eventos de temporais, de chuvas intensas, de tornados ou de estiagens severas, entre outros, podem tornar-se mais frequentes, aumentando a possibilidade de incidência de desastres naturais.

1.1. O que são desastres naturais?

Quando os fenômenos naturais atingem áreas ou regiões habitadas pelo homem, causando-lhe danos, passam a se chamar desastres naturais.
A conceituação adotada pela UN-ISDR (2009) considera
desastre como uma grave perturbação do funcionamento de uma comunidade ou de uma sociedade envolvendo perdas humanas, materiais, econômicas ou ambientais de grande extensão, cujos impactos excedem a capacidade da comunidade ou da sociedade afetada de arcar com seus próprios recursos. Os critérios objetivos adotados no Relatório Estatístico Anual do EM-DAT (Emergency Disasters Data Base) sobre Desastres de 2007 (Scheuren, et. al.
2008) consideram a ocorrência de pelo menos um dos seguintes critérios:

•
10 ou mais óbitos;
•
100 ou mais pessoas afetadas;
•
declaração de estado de emergência;
•
pedido de auxílio internacional.

14
Desastres naturais: conhecer para prevenir

No Glossário da Defesa Civil Nacional,

Desastres naturais podem ser definidos como o resultado do impacto de fenômenos naturais extremos ou intensos sobre um sistema social, causando sérios danos e prejuízos que excede a capacidade da comunidade ou da sociedade atingida em conviver com o impacto. (Tobin e Montz,1997; Marcelino, 2008).
desastre é tratado como sendo “resultado de eventos adversos, naturais ou provocados pelo homem, sobre um ecossistema (vulnerável), causando danos humanos, materiais e/ou ambientais e consequentes prejuízos econômicos e sociais. A intensidade de um desastre depende da interação entre a magnitude do evento adverso e o grau de vulnerabilidade do sistema receptor afetado” (Castro,1998).

1.2. Classificação dos desastres

As classificações mais utilizadas distinguem os desastres quanto à origem e à intensidade (Alcântara-Ayala, 2002; Marcelino, 2008).

Classificação quanto à origem

Quanto à origem ou causa primária do agente causador, os desastres podem ser classificados em:

naturais ou humanos (antropogênicos).
Desastres Naturais
são aqueles causados por fenômenos e desequilíbrios da natureza que atuam independentemente da ação humana. Em geral, considera-se como desastre natural todo aquele que tem como gênese um fenômeno natural de grande intensidade, agravado ou não pela atividade humana. Exemplo: chuvas intensas provocando
inundação, erosão e escorregamentos; ve ntos fortes formando vendaval, tornado e furacão; etc.
agente ou autor. Exemplos: acidentes de trânsito, incêndios urbanos, contaminação de rios, rompimento de barragens, etc (Alcântara-Ayala, 2002; Castro, 1999; Kobiyama
Desastres Humanos ou Antropogênicos são aqueles resultantes de ações ou omissões humanas e estão relacionados com as atividades do homem, como
et al.

Os desastres naturais podem ser ainda originados pela dinâmica interna e externa da Terra. Os decorrentes da dinâmica interna são terremotos, maremotos, vulcanismoe tsunamis. Já os fenômenos da dinâmica externa envolvem tempestades, tornados, inundações, escorregamentos, entre outros.

2006; Marcelino, 2008).
Classificação quanto à intensidade

A avaliação da intensidade dos desastres é muito importante para facilitar o planejamento da resposta e da recuperação da área atingida. As ações e os recursos necessários para socorro às vítimas dependem da intensidade dos danos e prejuízos provocados (Tabela 1.1).

Desastres naturais: por que ocorrem?
15

Tabela 1.1.
Classificação dos desastres em relação à intensidade (modificado de Kobiyama et al, 2006).
Nível Intensidade Situação
I

Facilmente superável com os recursos do município.
Desastres de pequeno porte, também chamados de acidentes, onde os impactos causados são pouco importantes e os prejuízos pouco vultosos. (Prejuízo menor que 5% PIB municipal)

II

Superável pelo município, desde que envolva uma mobilização e administração especial.
De média intensidade, onde os impactos são de alguma importância e os prejuízos são significativos, embora não sejam vultosos. (Prejuízos entre 5% e 10% PIB municipal)

III

A situação de normalidade pode ser restabelecida com recursos locais, desde que complementados com recursos estaduais e federais.

IV
De grande intensidade, com danos importantes e prejuízos vultosos. (Prejuízos entre 10% e 30% PIB municipal)(Situação de Emergência – SE)De muito grande intensidade, com impactos muito significativos e prejuízos muito vultosos. (Prejuízos maiores que 30% PIB municipal)
Não é superável pelo município, sem que receba ajuda externa. Eventualmente necessita de ajuda internacional.
(Estado de Calamidade Pública – ECP)

1.3. Desastres naturais no mundo

Em âmbito mundial, tem-se verificado, nas últimas décadas, um aumento das ocorrências de desastres naturais e dos prejuízos decorrentes (Figura 1.1). Constata-se umatendência global para o significativo incremento do número de desastres a partir da década
de 70 que, conforme EM-DAT (2009) passou de 50 registros por ano para 350 em 2008, tendo chegado a 500 em 2005. Segundo esta mesma fonte, os prejuízos estimados, que em 1975, eram de aproximadamente 5 bilhões de dólares, passaram a 180 bilhões em 2008. Em 2005, ano do Furacão Katrina nos Estados Unidos, o prejuízo atingiu 210 bilhões de dólares.

As populações em risco têm apresentado um crescimento anual em torno de setenta a oitenta milhões de pessoas, sendo que, mais de noventa por cento dessa população encontra-se nos países em desenvolvimento, com as menores participações dos recursos econômicos e maior carga de exposição ao desastre (Figura 1.2). Em teoria, os perigos naturais ameaçam igualmente qualquer pessoa, mas na prática, proporcionalmente, atingem os mais desfavorecidos, devido a uma conjunção de fatores: há um número
muito maior de população de baixa renda, vivendo em moradias mais frágeis, em áreas mais densamente povoadas e em terrenos de maior suscetibilidade aos perigos. Assim, a estratégia de redução de desastres precisa ser acompanhada do desenvolvimento social e
econômico e de um criterioso gerenciamento ambiental. Portanto, deve ser construída com políticas de desenvolvimento sustentável que levem em conta os perigos existentes e os planos para redução dos riscos (Alcantara-Ayala, 2002; UN-ISDR, 2004).

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Novo planeta composto por água é descoberto fora do sistema solar

Há 40 anos-luz, GJ1214b já é considerado uma Superterra, com quase três vezes o tamanho do nosso planeta

por Anderson Estevan Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL ONLINE
Concepção artística do exoplaneta GJ1214b

Concepção artística do exoplaneta GJ1214b

Na tarde de ontem (21), a agência espacial americana (Nasa) anunciou a descoberta de mais um planeta composto por água e vapor.
O exoplaneta GJ1214b já estava sendo observado por um time internacional de astrônomos desde 2009, embora ainda não havia sido anunciado.
Localizado em nosso sistema solar, há 40 anos-luz, o planeta é considerado uma Superterra, com quase três vezes o tamanho do nosso planeta e sete vezes o seu peso.
A temperatura de GJ1214b é de 230 graus célsius e tem um ciclo orbital de 38 horas, rodando ao redor de uma estrela vermelha anã.
Para encontrar o “novo planeta”, os cientistas contaram com a ajuda do telescópio Hubble, conseguindo assim calcular a sua densidade a partir de sua massa e de seu tamanho, comprovando que ele tem mais água do que rochas em sua superfície.
Há três tipos de planetas conhecidos, os rochoso, como Mercúrio, Vênus, a Terra e Marte; os gigantes gasosos, como Júpiter e Saturno; e os gigantes de gelo, como Urano e Netuno.

Muito jovem para se casar

O mundo secreto das noivas crianças

por Cynthia Gorney, fotos de Stephanie Sinclair Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL

O casamento é ilegal e secreto, exceto para os convidados, e, no Rajastão, a cerimônia costuma ocorrer em noite alta. Por isso, só no fim da tarde, as três meninas noivas nessa árida povoação agrícola no norte da Índia começam a preparar-se para os votos sagrados. Elas agacham-se lado a lado no chão e mulheres do vilarejo, cercando-as com uma cortina improvisada de um pano de sári, despejam em suas cabeças uma panelada de água e sabão. Duas das noivas, as irmãs Radha e Gora, têm 15 e 13 anos e já entendem o que está acontecendo. Mas a terceira, Rajani, sobrinha delas, tem 5. Ela está de camiseta rosa com desenho de borboleta no ombro. Uma adulta a ajuda a despir-se para o banho.

Os noivos estão vindo de seu distante vilarejo. Ninguém pode pagar por um elefante ou pelos cavalos arreados com o luxo que a cerimônia exige para a chegada dos garotos ao local do casamento. Por isso, eles vêm de carro, e é de bom tom que cheguem bem animados e bêbados. A única pessoa ali que já conhece os noivos é o pai das duas meninas mais velhas, um agricultor esguio e grisalho, de bigodes caídos e costas aprumadas. Esse homem, que chamarei de senhor M., olha com orgulho e cautela os convidados que se afunilam pela trilha pedregosa em direção às sedas de cores vivas presas em varas para fazer sombra. Ele sabe que, se algum policial não subornável descobrir o que está acontecendo, a cerimônia pode ser interrompida. Nesse caso, haverá prisões, e a vergonha cairá sobre a sua família.

Rajani, de 5 anos, é neta do senhor M., filha da filha mais velha casada. Tem grandes olhos castanhos, narizinho largo e pele cor de chocolate ao leite. Morava com os pais. A mãe mudou-se para o vilarejo do marido, como fazem as mulheres casadas na Índia rural. O pai de Rajani tem reputação de beberrão e mau agricultor. No vilarejo dizem que o avô, o senhor M., é quem mais gosta de Rajani, pois arranjou para ela um noivo da família respeitável para a qual Radha, a tia da menina, também irá entrar. Assim ela não sentirá solidão depois de sua gauna, a cerimônia indiana da transferência física de uma noiva de sua família original para a do noivo. Quando meninas indianas se casam, a tradição manda que a gauna ocorra depois da puberdade. Assim Rajani poderá morar por mais alguns anos com seus avós; e o senhor M., dizem os moradores, fez muito bem em proteger a criança nesse meiotempo ao marcá-la publicamente como casada.

Olhamos, consternadas, para a pequenina Rajani quando compreendemos que aquela garotinha de 5 anos, correndo descalça, de camiseta e óculos cor-de-rosa, vai ser uma das noivas na cerimônia à meia-noite. O homem que nos guiou até o vilarejo, primo do senhor M., dissera que o casamento fora planejado para as duas irmãs adolescentes. Essa revelação em si já era arriscada, pois legalmente as indianas só podem se casar depois dos 18 anos. Mas as técnicas utilizadas para encorajar a se fazer vista grossa aos casamentos ilegais – conspiração dos vizinhos, súplicas pela honra da família – são mais eficazes quando as prometidas chegaram pelo menos àpuberdade. Em geral, as filhas pequenas são adicionadas com discrição. Seus nomes não constam do convite, e elas são noivas suplementares, anônimas no próprio casamento. Rajani adormece antes de a cerimônia começar. Um tio vai pegá-la na cama, carrega-a no ombro e a põe diante do sacerdote hindu e da fumaça do fogo sagrado, junto dos convidados sentados ao luar em cadeiras de plástico e de seu futuro marido, um menino de 10 anos de turbante dourado.

Para quem é de fora, é difícil resistir ao impulso de imaginar um enredo cinematográfico de salvamento: pegar a criança, nocautear os adultos em volta e correr. Impedir a todo custo. Colei na parede atrás da minha escrivaninha uma foto de Rajani na noite de seu casamento.
Na imagem, tirada ao pôr do sol, seis horas antes da cerimônia, ela fita a câmera, despreocupada, de olhos bem abertos, esboçando um sorriso. Nessa noite, fico remoendo minhas fantasias de salvamento – não só de Rajani, que eu poderia ter carregado sozinha nos ombros, mas também das irmãs de 13 e 15 anos, que estavam sendo transferidas de uma família para outra, como mercadoria encomendada, porque um grupo de homens adultos negociou o futuro delas.

As pessoas que se dedicam em tempo integral a combater o casamento infantil e a melhorar a vida das mulheres em sociedades de costumes rígidos são as primeiras a rechaçar a impertinente ideia de que esse assunto tenha qualquer coisa de simples. O casamento forçado de crianças prospera até hoje em muitas regiões do mundo. É arranjado pelos pais, em geral viola leis nacionais e é considerado pela comunidade um modo apropriado de uma menina crescer quando todas as alternativas são inaceitáveis, sobretudo se ela corre o risco de perder a virgindade para alguém que não seja seu marido.

O casamento infantil existe em vários continentes, línguas, religiões e castas. Na Índia, as meninas costumam ser comprometidas com garotos quatro ou cinco anos mais velhos; no Iêmen, no Afeganistão e em outros países com altos índices de matrimônio precoce, o marido pode ser um rapaz ou um viúvo de meia-idade ou ainda um sequestrador que primeiro estupra e depois reivindica a vítima como esposa, como é prática em certas regiões da Etiópia. Alguns desses casamentos são meras transações comerciais, e nunca se preocupam em aparentar ser algo mais. Uma dívida quitada em troca de uma noiva de 8 anos, uma rixa familiar resolvida com a entrega de uma prima virgem de 12 anos: esses são casos que, quando vêm a público em terras distantes, sempre viram notícia e motivo de indignação. O drama de Nujood Ali em 2008, a menina iemenita de 10 anos que procurou sozinha um tribunal na cidade e pediu divórcio do homem de mais de 30 anos com o qual seu pai a obrigara a se casar, foi manchete no mundo todo e há pouco tempo tema de um livro já traduzido em 30 idiomas: Moi Nujood, 10 Ans, Divorcée (“Eu Sou Nujood, 10 Anos, Divorciada”).

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Tsunamis: a calma antes da onda

Onde e quando vai ocorrer o próximo tsunami?

por Tim Folger Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL ONLINE
Jin Sato é o prefeito de uma cidadezinha que não existe mais. Minamisanriku, uma vila de pescadores ao norte de Sendai, no nordeste do Japão, desapareceu em 11 de março de 2011. Por muito pouco Sato não sumiu junto. O desastre começou às 14h46, a 130 quilômetros dali, em pleno Pacífico, ao longo de uma profunda falha geológica sob o leito do oceano. Com 450 quilômetros de extensão, um bloco da crosta terrestre deslocou-se para leste – em alguns pontos moveu-se quase 24 metros. Sato acabara de finalizar uma reunião na prefeitura. Dois dias antes, a região fora sacudida por um tremor – um sismo precursor, hoje sabem os cientistas, do terremoto de 11 de março, que seria o de maior magnitude da história do Japão.

Quando a terra afinal parou de tremer, após cinco minutos desesperadores, a vila de Minamisanriku estava quase toda intacta. Mas o mar havia começado a se mexer. Sato e dezenas de outros correram até um prédio de três andares ao lado, onde estava instalado o centro de defesa civil. A jovem Miki Endo, de 24 anos, trabalhava no segundo andar, e passou a transmitir um alerta pelos alto-falantes da vila: “Por favor, corram para os terrenos mais altos!” Sato e a maioria de seu grupo buscaram refúgio no telhado. De lá puderam observar o tsunami ultrapassar a muralha de concreto, com 5,5 metros de altura, erguida no mar para proteger o vilarejo. Eles ouviram a vaga gigantesca esmigalhar tudo o que encontrava pela frente. Casas de madeira foram destroçadas; vigas de aço gemeram estridentes. Em seguida, a onda de água cinza-
escuro alcançou o topo do edifício em que estavam. De repente cessaram os alertas transmitidos por Miki Endo.

O tsunami destruiu diversas cidadezinhas no litoral da região de Tohoku, e deixou desabrigadas centenas de milhares de pessoas. Em Minamisanriku, contam-se mais de 900 mortos nos 17,7 mil habitantes (entre eles Miki Endo, cujo corpo foi achado em 23 de abril). Sato só conseguiu sobreviver porque se agarrou em uma antena de rádio no telhado. “Acho que fiquei submerso por três ou quatro minutos”, conta. Muitas das 30 e tantas pessoas que lá estavam tentaram se segurar na balaustrada de ferro que rodeava o topo. As ondas continuaram a fustigar por toda a noite, e nas primeiras horas inundaram repetidas vezes o prédio de três andares. Quando amanheceu, apenas dez pessoas restavam no telhado.

O Japão está na vanguarda mundial em termos de medidas de precaução contra terremotos e ondas gigantes. Bilhões de dólares foram gastos no país para reforçar a estrutura de edifícios antigos e instalar sistemas de absorção de choque nos prédios novos. Altas barreiras de concreto foram erguidas para proteger muitas cidades costeiras, nas quais foram demarcadas rotas de evacuação para terrenos elevados ou edifícios mais resistentes. Em 11 de março, os sismólogos do governo mal haviam deixado de abraçar seus monitores para que não se espatifassem no chão quando soou o primeiro alerta de tsunami.
Esse conjunto de medidas salvou milhares de vidas. O terremoto que sacudiu Tohoku, de grau 9, provocou bem menos danos do que o faria em outros países. No entanto, entre 16 mil e 20 mil moradores morreram em Tohoku por causa do tsunami – uma quantia de vítimas fatais comparável àquela causada por outro terremoto acompanhado de tsunami na mesma região em 1896.

Desde o fim do século 19, as defesas do Japão foram melhoradas, mas nesse período também triplicou a população do país. Hoje seu litoral tem uma densidade demográfica bem maior. O mesmo vale para o resto do planeta, em países que estão bem menos preparados. Na área do oceano Índico em que o tsunami mais mortífero da história fez quase 230 mil vítimas fatais, em 2004, a maioria delas da Indonésia, já se prevê a ocorrência de outro desastre similar em algum momento nos próximos 30 anos. Nos Estados Unidos, cuja costa noroeste foi assolada por uma grande onda há 300 anos, quando a região era esparsamente povoada, também é inevitável que aconteça outro, segundo os geólogos.

O próprio Jin Sato era um sobrevivente de outro tsunami de grandes proporções. Em 1960, quando tinha 8 anos, uma onda de 4 metros provocou a morte de 41 pessoas em Minamisanriku. Depois disso é que foi tomada a decisão de erguer no mar uma barreira de proteção. “Achamos que estávamos seguros”, diz Sato. “Segundo os sismólogos, o tsunami poderia chegar a 5,5 ou 6 metros. Mas esse tinha o triplo dessa altura.”
Quase todo ano, os tsunamis atingem alguma região do mundo e, na opinião de determinados estudiosos, aqueles de proporções gigantescas chegam até a mudar o curso da história. De acordo com alguns arqueólogos, um tsunami no mar Mediterrâneo devastou o litoral de Creta há mais de 3,5 mil anos. 

O desastre abalou a civilização minoica, uma das mais avançadas da época, e fez com que fosse suplantada pelos gregos micênicos. Em 1755, quando um terremoto com tsunami matou dezenas de milhares em Lisboa, a tragédia teve um impacto duradouro no pensamento ocidental, contribuindo para demolir o otimismo complacente então vigente. No romance Cândido, de Voltaire, o ingênuo filósofo Pangloss, ao visitar Lisboa logo após a catástrofe, insiste em dizer que “tudo vai pelo melhor neste que é o melhor de todos os mundos possíveis”, e acaba sendo enforcado por seu otimismo. A sátira fulminante de Voltaire tornou um pouco mais difícil de se adotar a posição de seu personagem filósofo – ou seja, a de acreditar que um Deus benevolente havia criado o melhor dos mundos.

DE VOLTA AS POSTAGENS DEPOIS DE 3 DIAS DE EBEGEO... RS

Fragmentos de Indochina

O melhor do trio Camboja, Laos e Vietnã em diferentes recortes. Passeios de bicicleta, aulas de culinária, visitas a tribos, templos, santuários

por Rachel Verano Fonte: VIAGEM E TURISMO
                Centro de Hanói, no Vietnã
               
 
O fim de tarde seguia poeirento às margens do rio que corta o centro de Siem Reap, no Camboja. Dentro de um templo, os monges estavam ansiosos para praticar inglês. “What are you talking about?”, nos interromperam. Eram garotos de 20 e poucos anos e sorriso largo. Era também a nossa estreia na península do Sudeste Asiático que ficou conhecida como Indochina – região onde a França estabeleceu colônia no século 19, hoje formada por Camboja, Laos e Vietnã.
 

Quiseram saber de onde viemos, para onde vamos, por que temos tatuagens, se não somos gângsteres. Quando indagamos sobre os vizinhos templos de Angkor, ficaram mudos por segundos até que Peron, o mais alto deles, ousou uma resposta: “It’s… It’s fantaaastic!”, disse ele, emocionado. Só pudemos compreender o que ele tentava explicar no dia seguinte, ao ver o sol nascer atrás das torres mágicas de Angkor Wat.
Os templos da antiga capital do Império Khmer entre os séculos 9 e 13 são apenas algumas das surpresas desses três países. Frequentemente visitados em uma mesma viagem, eles têm em comum um triste histórico de guerras, um rio que desenha belas paisagens por onde passa (o lendário Mekong) e uma sede de mostrar para o mundo o que o passado recente escondeu: construções grandiosas, tribos exóticas, uma culinária deliciosa e todo o fascínio que só o Oriente é capaz de provocar em nós, ocidentais. Ao longo de dois meses, embarcamos na carona de motos, em tuk-tuks, bikes, barcos, ônibus. E voltamos para casa com receitas, sedas e o inesquecível sabor de mangostim na memória.
Ciclista na ponte de Angkor Thom, no Camboja
 
CAMBOJA
De bicicleta pelos templos de Angkor

Mal amanhece o dia e a estradinha estreita que liga o centro de Siem Reap ao complexo dos Templos de Angkor (passe de um dia, US$ 20; três dias, US$ 40; uma semana, US$ 60) se transforma no palco de uma verdadeira peregrinação que não cessará até que a noite caia. Tuk-tuks, motos, pedestres, vans, todos têm como destino o maior templo religioso já erguido pelas mãos do homem: Angkor Wat, a primeira e mais famosa construção da área arqueológica que se apresenta à multidão vinda da cidade. De bicicleta (alugada por US$ 2 a diária), com a brisa da manhã ainda fria no rosto, dá para sentir a ansiedade daquele vai e vem. Meia hora e 7 quilômetros depois, Angkor Wat desponta no horizonte com suas cinco torres escoltadas por lagos com delicadas flores de lótus. É logo atrás delas que o sol nasce imenso e dourado.
Vencer o labirinto de caminhos de terra batida pode não ser muito animador do ponto de vista quantitativo – trata-se, afinal, de uma área de cerca de 1 000 quilômetros quadrados recheada de florestas. Mas só assim se tem a real dimensão da região e algumas das melhores surpresas: uma nesga que revela um elefante no meio da folhagem aqui, os detalhes de uma escultura ali, o sorriso dos meninos vendedores de mangas. E, se não dá para ir muito longe, o alento é que os templos top 3 estão relativamente perto uns dos outros.
Poucos minutos de pedalada além de Angkor Wat e uma ponte cercada de esculturas de pedra dá as boas-vindas à cidadela de Angkor Thom, cercada por 12 quilômetros de muralhas. Do lado de dentro, bem no centro, ergue-se Bayon, também conhecido como “templo das 216 faces”. A saída pela porta leste leva a uma estradinha ainda mais estreita, e quem segue sempre à direita chega a Ta Phrom, onde as raízes das árvores se fundiram de maneira impressionante às paredes de pedra. Depois de vermos tudo sem pressa, o sol já ameaçava se esconder. A volta a Siem Reap foi iluminada apenas pela luz da Lua, que, por pura sorte de principiante, estava cheia naquela noite de fim de verão.
 
Phnom Penh: uma triste aula de história

O Camboja tem uma das histórias recentes mais tristes do mundo. Entre 1975 e 1979, o país foi governado pelo Khmer Vermelho, facção que se revelou extremamente violenta por trás de uma fachada ideológica comunista e que foi responsável pelo genocídio de algo entre 1 milhão e 3 milhões de pessoas.
O ano de 1975 foi batizado de “ano zero” quando os experimentos de Pol Pot, o grande líder, tiveram início. O dinheiro foi abolido, as cidades foram evacuadas, e todas as pessoas que detinham qualquer tipo de conhecimento foram sumariamente executadas.
Phnom Penh, a capital de 1,5 milhão de habitantes, ainda exibe memórias desse passado abominável na Phlauv (rua) 113, em frente ao número 50, hoje Museu Tuol Sleng (US$ 2). Ali, os edifícios de uma antiga escola foram transformados no mais sangrento quartel-general do Khmer Vermelho, a chamada S-21. As salas exibem ao mesmo tempo os instrumentos de tortura e os velhos quadros-negros. As celas seguem de pé no interior do edifício C. Fotos de centenas de prisioneiros são exibidas nas paredes – alguns sorrindo inocentemente, outros com um olhar que pedia socorro. São eles os donos dos crânios exibidos a 14 quilômetros de distância dali, nos Campos de Concentração de Choeung Ek (14 km ao sul da cidade; US$ 5), para onde eram levados os prisioneiros da S-21. Uma visita tão desconcertante quanto obrigatória, que faz o caos se transformar em silêncio e o ar subitamente parecer mais denso.

Laos
 
LAOS
 
Luang Prabang ao amanhecer

São 5 e meia da madrugada. Ainda faz frio quando as ruas da pequena Luang Prabang, uma cidadezinha de cerca de 50 mil habitantes com ares de vilarejo na porção norte do Laos, começam a despertar lentamente. Pouco a pouco os moradores ocupam seus lugares nas calçadas das ruas principais, forradas de esteiras, e esperam. Nós também esperamos. De repente, um mar de cor enche de vida as fachadas coloridas e ao mesmo tempo desbotadas de traços franceses da ex-colônia. Centenas de monges em trajes cor de laranja, descalços e em fila indiana, começam uma peregrinação que vai durar quase uma hora, enquanto os moradores da cidade oferecem comida a eles. Geralmente um arroz grudento e delicioso que é a base da alimentação no país (chamado de sticky rice). O nome do ritual budista que se repete há anos diariamente é tão bonito e emocionante quanto ele: Ronda das Almas. Luang Prabang amanhece em paz todos os dias.
 
Luang Prabang ao entardecer

De um lado corre o mítico Mekong, o mais famoso rio do Sudeste Asiático. Do outro, o Rio Khan. Bem no meio deles surge a cidade de apenas duas ruas principais que ainda anda no ritmo lento das bicicletas, que as invadem invariavelmente do nascer ao pôr do sol. Fazia um fim de tarde dourado quando passamos pela minúscula Rua Wisunarat, e paramos enfeitiçados por uma música que vinha de um canto qualquer. Perseguimos o som por alguns longos minutos e de repente deparamos com um grupo de jovens monges entoando cânticos para uma imensa imagem de Buda, ao lado do templo mais antigo da cidade, erguido no ano de 1503, cujo pátio exibe uma impressionante estupa, um monumento em forma de flor de lótus. Luang Prabang anoitece em paz todos os dias.

Vietnã
 
VIETNÃ
24 horas em Ho Chi Minh City

Ho Chi Minh City, ou HCMC, para os íntimos, foi um caso de amor à primeira mordida. Tão logo desembarcamos do ônibus vindo do Camboja fomos apresentados a coisas de texturas estranhas, aparência desconhecida e nomes impronunciáveis. Estávamos sentados nuns banquinhos de plástico no Mercado Ben Thanh (interseção das ruas Le Loi, Ham Nghi e Tran Hung Dao). Gelatinas com camarões, carnes enroladas em pedaços de cana, noodles com terrines de sabe-se lá o quê, rolinhos molengas de massa transparente. Pronto. Duas horas depois da chegada, o Vietnã ganhava ali mesmo o troféu de melhor comida da viagem. E nós ganhávamos energia para começar a desbravar a cidade numa contagem regressiva das 22 horas que nos restavam.

HCMC tem seu bairro de arranha-céus modernos, suas lojas de grandes grifes europeias, seus restaurantes estrelados. Mas, antes de se aventurar em sua porção futuro, é preciso conhecer sua porção passado. A Guerra do Vietnã é narrada de maneira didática no Museu dos Remanescentes da Guerra (Bao Tang Chung Tich Chien Tranh, 28 D Vo Van Tan, 8/3930-6235; US$ 0,75), onde estão expostos de tanques e aviões a armamentos e fotos dramáticas do conflito. Também é possível visitar por dentro o Palácio da Reunificação (Nguyen Du, 106; US$ 1,50), onde foi selada a queda de Saigon – antigo nome da cidade –, dando fim à guerra, em 1975. Caminhar pelo centro histórico é uma experiência antropológica: a sensação é a de que os 6 milhões de habitantes da cidade estão todos nas ruas pilotando loucamente suas motos ao mesmo tempo. Mais cedo ou mais tarde, outros dois postais imperdíveis vão aparecer pelo caminho: a Catedral de Notre-Dame (interseção das ruas Dong Khoi e Nguyen), erguida no final do século 19, e a Pagoda do Imperador Jade (Mai Thi Luu, 73), recheada de figuras divinas e considerada um dos mais belos templos chineses do país
 
Entre panelas e caçarolas em Hoi An

Nguyen Ngoc Thong, ou Mr. Thi, para facilitar a pronúncia e evitar os cinco acentos que os teclados ocidentais não são capazes de digitar, tem 25 anos. Vive com os pais e os três irmãos numa casa “muuuito pobre” às margens do Rio Thu Bon. As enchentes, comuns durante a época das monções, muitas vezes os obrigam a mudar de endereço – como no terrível novembro de 2007, quando tiveram de viver durante meses em um barco. Perder tudo é fato corriqueiro. Assim como começar de novo.
Mr. Thi foi o nosso guia numa excursão pelo mercado de Hoi An nas primeiras horas da manhã. Ele se virou bem tanto em inglês quanto na identificação das frutas, ervas e verduras locais (o que não é pouco). Soltava pérolas vez ou outra: “O pomelo ajuda a aumentar a barriga, fundamental para os homens que querem fazer sucesso com as mulheres”. Algumas horas mais tarde, seguimos de barco até a sede da Red Bridge Cooking School (Thon 4, 510/393-3222; cursos desde US$ 27) para colocar todo aquele conhecimento em prática. Pho (sopa de noodles). Wonton (espécie de panquequinha fita crocante). Banh uot (“papel” de arroz fresco). Nem (rolinho primavera). Depois de provar tudo o que você mesmo preparou, a tarde pode ser embalada com uma sesta às margens da piscina da escola.
 
Relaxem!

“Vamos agora!” A ordem, bradada pouco depois das 7h30 da manhã por um vietnamita baixinho, nos fez questionar se, afinal, tínhamos comprado um passeio turístico ou um tíquete do tipo “passe um fim de semana com o Exército”. Nunca chegamos a uma conclusão. Já na van a caminho de Halong Bay, a pouco mais de três horas de distância de Hanói, Mr. Nam exigiu a atenção de todos para recitar seus conhecimentos sobre seu país. Os rios, os nomes dos rios, as extensões dos rios, a história. Fomos avisados do fim da palestra com um “Agora durmam!” No barco onde passaríamos a noite passeando por um dos cenários mais bonitos do mundo, no qual pedras emergem abruptamente de águas cor de esmeralda, a tarde seguiu com “Agora comam!”, “Agora tratem de ir para a cabine!”, “Agora visitem as cavernas!” Quando achávamos que não sabíamos fazer mais nada sozinhos, eis que surge Mr. Nam para ajudar. Como preencher o tempo? “Agora relaxem!” E relaxamos, por via das dúvidas. Só não deu mesmo foi fazer frente aos japoneses no karaokê na hora do “Agora cantem”…
Todas as agências de viagens que pipocam por Hanói oferecem o passeio, que pode ser comprado inclusive na recepção da maioria dos hotéis. Uma das melhores alternativas é a Handspan Travel Indochina (Ma May, 78, 4/3926-2828; passeio de dois dias e uma noite em um barco, desde US$ 135).
 
Contatos imediatos com as tribos do norte

Às 21h50 em ponto o trem SP3 começou a se mover lentamente na plataforma e, depois de passar de raspão por casas, bares e cybercafés, deixou o bulício de Hanói para trás no rastro do Rio Vermelho. Às 5 da madrugada, já com o dia claro, cortávamos as planícies do norte rumo à fronteira da China, onde tudo o que se via eram campos de arroz intermináveis. Chovia. E então chegamos a Lao Cai, a última cidade do Vietnã, ponto final da ferrovia.
Nosso destino era Sapa, um vilarejo de 30 e poucos mil habitantes a 1 650 metros de altitude, acima das nuvens e cercado de montanhas. Desde os tempos da colonização francesa no Vietnã (que durou de 1883 a 1954), Sapa é uma charmosa estância de serra onde faz frio mesmo no auge do verão. Tem restaurantes franceses, padarias francesas e um ar francês sempre que se cobre de uma bruma espessa.
Mas a razão que leva gente do mundo inteiro até lá são as tribos que vivem em vilarejos espalhados pelas montanhas nos arredores da cidade, onde terraços de arroz encharcados descem o vale em degraus, os socalcos. São tribos de mais de 15 etnias capazes de encher de brilho e de cor as ruas estreitas e os mercados da cidade mesmo em meio às tempestades recorrentes.

Centro de Hanói, no Vietnã
 
Top 10: centro histórico de Hanói

Hanói é um caos com suas avenidas largas, suas milhares de motocicletas e os 3,5 milhões de habitantes que bebem, comem, vendem de tudo e assistem à TV no meio da rua. Ocupando as margens do Lago Hoam Kiem, o centro histórico é um oásis na deliciosa confusão da cidade grande. Não que seja menos confuso, mas é mais simpático perder-se ali, em ruelas estreitas ladeadas por predinhos antigos e onde becos de artesãos, casas de carnes e oficinas de lápides dividem espaço com cafés charmosos, ótimos restaurantes e bares bacanas que só fecham de madrugada. Há pelo menos dez programas deliciosos (e baratos!) na região:
 
1 Fazer uma massagem nos andares superiores do Tamarind Café (Ma May, 80; cerca de US$ 7 a hora), à meia-luz e ao som de música clássica.
2 Tomar bia hoi (um tipo de chope fresquíssimo, servido a US$ 0,30) nas mesas baixas com banquinhos de um palmo de altura na esquina das ruas Hang Thung e Hang Tre e ver o trânsito mais surreal do mundo desfilar na sua frente.
3 Comprar pôsteres da antiga propaganda comunista na lojinha Old Propaganda (Hang Bac, 122; cerca de US$ 8 as unidades pequenas e US$ 30 as grandes).
4 Assistir a um espetáculo no Teatro Municipal de Marionetes Aquáticas(Dinh Tien Hoang, 57B; desde US$ 3), de frente para o lago.
5 Tomar café da manhã no Papa Joe’s (Hai Ba Trung, 49, 4/3936-4597), com panini, milk-shakes e sanduíches deliciosos, por menos de US$ 4.
6 Jantar no Highway 4 (Hang Tre, 3, 4/3926-0639) e provar, além de todas as variedades de rolinhos do cardápio, os deliciosos pratos à base de carne de avestruz.
7 Namorar as lojas de artigos para a casa nos arredores da Catedral de São José (Nha Tho), erguida em estilo neogótico no final do século 19.
8 Fazer uma longa pausa no Templo da Literatura (Quoc Tu Giam; US$ 0,50), um refúgio tranquilo erguido no ano 1070 em homenagem a Confúcio.
9 Comprar camisetas com a bandeira do país ou marcas de cerveja locais nas barraquinhas de rua, por cerca de US$ 2.
10 Bater pernas até não aguentar mais e depois pegar um tuk-tuk de bicicleta de volta para o hotel, por apenas US$ 1.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

THANKS FOR ALL VISITORS THE OTHER PAÍSES...

THANK YOU VERY MUCH!

Golfinho raro é visto pela primeira vez em águas indonésias

Com uma população de 6 mil espécimes, golfinho-de-Irrawaddy está ameaçado de extinção

por Anderson EstevanFonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL ONLINEF/ Divulgação
Golfinho-de-Irrawaddy
Golfinho-de-Irrawaddy ​​(Orcaella brevirostris) descoberto pelo WWF
Pesquisadores do WWF Indonésia e do governo da Indonésia encontraram pela primeira vez golfinhos-de-Irrawaddy (Orcaella brevirostris)na região oeste de Kalimantan, parte intocada da ilha Bornéu.
A descoberta foi feita durante estudos sobre os estreitos e água costeiras na parte ocidental de Bornéu, na Indonésia. Golfinhos desta espécie ainda não haviam sido encontrados nesta região.
Com mais ou menos 6 mil indivíduos restantes, a espécie é encontrada no Sudeste Asiático, em áreas de mangue. Perto de 5.800 deles vivem nas águas costeiras de Bangladesh. O restante está dividido entre as águas da Tailândia, Camboja, Indonésia, Filipinas e da costa nordeste da Austrália. Em muitas destas áreas, o golfinho está entre os animais criticamente ameaçados.
A entidade já atua há algum tempo na ilha, tentando protegê-la da poluição. A produção crescente de carvão, que ameaça as áreas de mangue, um dos habitats principais dos Irrawaddy e aumento do tráfego marinho na área também podem acabar com a espécie, que até então era desconhecida nas águas da Indonésia.

Estudo detalha genoma de ancestral humano pouco conhecido


Homem denisovaniano é contemporâneo do Neandertal e foi encontrado em uma caverna na Sibéria

por Anderson EstevanFonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL ONLINE
Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva/Divulgação
Caverna de Denisova, no sul da Sibéria
Caverna de Denisova, no sul da Sibéria
Pesquisadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha,anunciaram hoje (7) um estudo de decodificação do genoma um hominídeo extinto.
As amostras foram extraídas de um pedaço de um dedo deste ser contemporâneo dos Neandertais. Eles são conhecidos como homens denisovanianos, por conta do local de sua descoberta, a caverna de Denisova, no sul da Sibéria e provavelmente tem de 30 a 50 mil anos de idade.
A revista Nature já havia feito um estudo semelhante em 2010, porém o estudo atual pode capta mais informações sobre o processo de decodificação.
Mesmo extinto, o homem denisovaniano contribuiu para o atual DNA do Homo sapiens. De acordo os as novas pesquisas, cerca de 5% do material genético destes ancestrais ainda está presente no genoma dos habitantes da Melanésia.